TEMA

As configurações atuais da Arte Tecnológica têm se fundido com a vida contemporânea, num processo viral de trocas incessantes entre o mundo real e o simulado. Criam-se trabalhos híbridos, nos quais o digital e o analógico, o natural e o artificial, o real e o virtual, se atravessam. A tecnologia passou a ser vista como um fator constitutivo da vida humana  e com a biotecnologia, a própria vida. As pesquisas científicas são reapropriadas e se transformam em linguagens artísticas, através do uso da interatividade, virtualidade, sistemas híbridos e imersão.

Para além da digitalização das informações, assistimos agora a um processo intenso de digitalização do mundo físico. Simultaneamente, em meio a esse fluxo veloz e exorbitante de informação em que vivemos, muitos artistas, criadores, profissionais, pesquisadores e intelectuais apontam para a necessidade de produzir outros ritmos, outras temporalidades, outras realidades, outros espaços e silêncios, para que seja possível transmutar e reconfigurar um novo lugar de utopia. Nesse sentido, o que se convencionou chamar de sociedade pós-digital parece marcar a transição de uma era caracterizada pelo encantamento tecnológico para uma outra, na qual encontrar novas maneiras de abordar, conceitualizar e repensar o universo artístico e social em relação a estas transformações é tarefa urgente.

A arte inserida no pós-digital propõe um movimento de escape do domínio tecnológico, mas sem descartá-lo completamente e faz um convite à experimentação no plano onde a existência física e a abstração do mundo digital se encontram. São trabalhos que exploram – através de meios alternativos à participação, interação e colaboração entre o público e o artista – sensações hápticas e sinestésicas dessa constante atualização da relação homem-máquina. Mais do que isso, eles expõem como as forças que constituem a condição de existência natural e tecnológica, agora mais orgânicas e simbióticas – ainda que não tenham perdido seu DNA na operação dos metadados e algoritmos  – estão produzindo seres híbridos.

A computação vestível, a internet das coisas, a inteligência artificial, o BigData, a geolocalização, os processos da robótica, da automação, da computação quântica e do hibridismo pervasivo, tornam-se então matéria de expressão. Faz-se necessário que essas ferramentas sejam cada vez mais abertas, para que a inovação que trazem seja decodificada nas mais diversas manifestações, culturais e tecnológicas. Significa dizer que devem se constituir por meio de trocas e modificações disponíveis em seu entorno, permitindo-se o aprimoramento de conjuntos técnicos mais amplos. Não pode haver desenvolvimento tecnológico e inovação técnica sem uma certa margem de indeterminação, uma abertura das máquinas para novos acoplamentos.

Nesta edição especial do FAD, denominada Bienal de Arte Digital, o objetivo será exibir trabalhos e conceitos através dos quais as transformações, ao longo do tempo, dos processos digitais na vida, na criatividade e na sociedade através da arte e da comunicação, criam experiências por meio das hibridações imersivas aos visitantes.

Diretores & Curadores - FAD Edição 2018

THEME

The current configurations of Technological Art have been fused with contemporary life in a viral process of incessant exchanges between the real and the simulated world. Hybrid works are created, in which the digital and the analog, the natural and the artificial, the real and the virtual, cross. Technology has come to be seen as a constitutive factor of human life and with biotechnology, as life itself. Scientific researches are re-appropriated and transformed into artistic languages through the use of interactivity, virtuality, hybrid systems and immersion.

In addition to the digitization of information, we are now witnessing an intense process of digitization of the physical world. Simultaneously, in the midst of this rapid and exorbitant flow of information in which we live, many artists, creators, professionals, researchers and intellectuals are calling attention to the necessity of producing other rhythms, other temporalities, other realities, other spaces and silences, so that transmuting and reconfiguring a new place of utopia are possible. In this sense, what has been conventionally called the post-digital society seems to mark the transition from an era characterized by technological enchantment to another, where finding new ways to approach, conceptualize and rethink the artistic and social universe in relation to those transformations is an urgent task.

The art inserted in the post-digital time proposes a movement of escaping from the technological domain, but without completely discarding it and invites the experimentation in a plane where physical existence and digital world abstraction meet. These works explore – through alternative means of participation, interaction and collaboration between the public and the artist – haptic and synesthetic sensations of such constant updating of the human-machine relationship. More than that, they expose how the forces that constitute the condition of natural and technological existence, now more organic and symbiotic – though they have not lost their DNA in the operation of metadata and algorithms – are producing hybrid beings.

Wearable computing, the internet of things, artificial intelligence, Big Data, geolocation, the processes of robotics, automation, quantum computing and pervasive hybridism, now become material of expression. It is necessary that these tools are increasingly open, so that the innovation they bring is decoded in the most diverse cultural and technological manifestations. It means that they must be constituted through changes and modifications available in their surroundings, allowing the improvement of larger technical groups. There can be no technological development and technical innovation without a certain margin of indetermination, an opening of the machines for new couplings.

In this special edition of FAD, called the Digital Art Biennial, the goal will be to show works and concepts through which the transformations, over time, of digital processes in life, in creativity and in society through art and communication, create experiences by means of immersive hybridizations for the visitors.

Directors & Curators - FAD 2018 Edition